sexta-feira, 27 de maio de 2011

A EDNEY, UM ABRAÇO NO RAMO PODADO

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Meu amigo,

Ainda sinto seu abraço. Aquele que você me deu em fevereiro de 2007, quando aqueles acontecimentos tristes sobrevieram sobre meu mundo e, na verdade, o mundo de cada um que estava perto de mim.

Liguei desnorteado. Que bom que você não deu nenhum norte naquele momento. Você não tinha. E quem tinha? Eu e meus amigos precisávamos de um seco tempo de deserto. De poda. Para voltar a dar frutos depois de muito sofrimento.

Seus abraços, cada um deles que marcou nossa amizade, eu não os esqueci.

Engraçada nossa relação. Nos vemos tão pouco, nos falamos tão pouco, mas de vez em quando, entre contratempos e ausências, rola aquele abraço meio que paterno, meio que de irmão mais velho, que faz voltar o carinho ao status quo ante, como se o tempo não tivesse passado. Minha noiva, a Tati, sabe que sou assim com raríssimas pessoas

Quero te dar um abraço de novo. Você precisa mais do que eu nesse momento

Sabe, amigo, imagino tudo o que passou nesse tempo. E o que passa agora.

Desejo que você esteja cercado de afeto. Que não faltem os abraços de sua comunidade, daqueles que reconhecem em você a missão de sua vida. Você nasceu para pastorear. E pastoreia. Esses abraços consolarão você enquanto o céu não se abre novamente para cair aquele velho maná.

Por que você esta sendo podado? Por que passar por tanta dor, se os frutos estão vistosos? Exatamente para que você dê mais frutos ainda. O Pai é o agricultor, O Filho, a videira

Ôh ramo Edney, aguenta firme. A poda não é eterna. Se necessário, o agricultor vai amarrar uma cordinha e dar um nó forte pra você não se separar da árvore. Ou vai colocar uma madeira, do chão até você, ramo, te deixando um pouco mais tranquilo, pra que não caia. Cordinhas e madeiras são Rosanas, Joões, Marias. São pessoas, o grande milagre.

Queria dizer como diz meu cantor favorito: “embora não pareça, a dor vai passar” ou como diz um amigo meu: “tudo passa”.

Vai passar. Os frutos serão frondosos novamente. E aquele seu sorriso escancarado vai voltar, sem a ponta de tristeza que te denunciava nesses últimos tempos.

Ainda quero dizer que esta carta não é um manual de conselhos, mas um mero testemunho. De olhos marejados, digo: eu passei por isso. Só nessa semana me dei conta de que tudo o que vivi foi uma poda. Que bom, pois posso dizer isso a você hoje. Não foi um corte, muito menos uma punição por pecados cometidos. E tenho uma história alegre para contar.

Amigo, cuide das ovelhas de Cristo que estão ao seu redor, sob seu cuidado e responsabilidade. Cuide dos seus sentimentos (seus e delas). Em abraço coletivo, não deixe que nenhuma se perca, escapando por baixo da roda de oração e lágrimas.

Ah, as lágrimas. Foram muitas as minhas ao ver corações entusiasmados, há quatro anos, se despedaçando para até hoje nunca mais de reencontrarem ou se ter notícias de seus cacos. Doe. Seco, ressecado, não sei se pude fazer muita coisa. Mas hoje vejo que o pouco é muito.

Este Edilson redesenhado, refeito e podado, diz, em honra ao Agricultor e à Videira, que aprendeu muitas lições que só a poda no deserto pode elaborar. Meu coração, que por tempos esteve enlutecido, ressentido e pesado, hoje está livre para gerar frutos. Perdoei. Pedi perdão, e sigo pedindo, a todos quantos magoei, mesmo que algumas ou muitas de minhas intenções naquele tempo de luta e angústia tenham sido nobres.

Aprendi em velórios: será que hoje vale a pena lutar contra pessoas, se amanhã podemos estar no funeral delas? Ou elas no nosso?

Por isso, amigo ramo, continue se doando a pessoas. Inspire-as a amarem a Cristo, mais que a causa de Cristo, para que nunca mais ninguém, quem quer que seja, posicione causas acima de vidas, rixas institucionais ou conceituais acima de corações de carne que podem sim parar de bater.

Culpados? Se pensarmos com calma, talvez todos sejamos, não é mesmo? Onde mora a coerência? Quem carrega a exatidão? Mais urgente é cuidar, amar, perdoar, reconstruir, sanar qualquer culpa ou mágoa, enfim, “ter o mesmo sentimento que houve em Cristo Jesus”, “a mente de Cristo”, pois basta a nós sermos como Ele.

Ao imaginar sua tristeza e talvez fragilidade emocional nesse momento, quem sabe ainda tenha que dizer, para sua saúde como cuidador de vidas: não deixe que as pessoas o façam de videira. Aponte sempre para a fonte inesgotável, para a Videira. Vá com as pessoas até a fonte, mas não deixe que o confundam com fonte. Porque somos esgotáveis, exceto Ele, cuja seiva não para de jorrar. Eis a razão da decepção de muitos com pastores: os consideram fontes, que não são.

Amigo, olho sem rancor, de forma doce para o passado que vivi, de mais de quinze anos de igreja Betesda, e tenho a leveza de dizer que participei de um tempo lindo, enquanto foi possível. O quanto recebi da videira verdadeira naquele lugar! Foi lá onde Deus plantou minha raízes e cresci saudável, onde conheci os melhores amigos de minha vida, onde dei os melhores sorrisos, onde aprendi as maiores lições, chorando e sorrindo, onde eu e meus pais conheceram o Agricultor, onde conheci a mulher da minha vida.... Agradeço porque cheguei um menino medroso e saí alguém mais forte. Porque sem vergonha lavei carros, vendi salgadinhos, pintei paredes, arrastei bancos, dormi em bancos... Por isso sou grato, muito grato a Deus por nossa passada Betesda, por meu amado MINA, por ter havido felicidade enquanto se pôde. E frutos, muitos frutos.

Por isso e por muito mais que Deus já deve estar falando em seu íntimo, vale a pena ter esperança. Você ainda olhará para tudo e todos com aquela gargalhada.

Um caloroso abraço. De ramo para ramo.


domingo, 3 de abril de 2011

“E A PEDRO” - AMOSTRA GRÁTIS DA GRAÇA

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Cenário: Jerusalém. Quando? Três dias após Cristo ter sido assassinado.  Naquele local e dia, três mulheres (Madalena, Maria e Salomé) visitaram o túmulo do Jesus morto. Ao chegarem, depararam-se com a pedra, que protegia o sepulcro, retirada.

Marcos 16: 1-7 narra a cena. Ao lado da pedra estava um homem vestido de branco. Ele avisou às mulheres que aquele, antes morto, já havia tornado a viver. Disse mais: “Vão e digam aos discípulos dele e a Pedro: ‘Ele está indo adiante de vocês para a Galiléia. Lá vocês o verão, como ele lhes disse". (v. 6 e 7) (grifei).

Jesus estava a dizer aos seus discípulos que ele tinha cumprido sua promessa: a de ressuscitar. A notícia de que Ele voltara a viver, e que inclusive marcara um encontro com eles na Galiléia, significaria uma injeção de ânimo naqueles homens que há poucos dias haviam assistido a alguém, que dizia ser Deus, ser humilhado e morto em praça pública.

Mas qual a razão da ênfase dada pelo anjo: “e a Pedro”? Por que Cristo não mandou um recado mais simples, como “diga aos discípulos”? Por que Jesus não disse “diga aos discípulos e a Tomé”, já que este era o discípulo “incrédulo”? Ou por que não “diga aos discípulos e a João”, considerando que este era o discípulo mais chegado do mestre?

Pouco antes de ser entregue aos carrascos, Jesus e Pedro foram protagonistas de um momento tenso, narrado em Mc 14:29,30. Ao revelar aos discípulos que seria preso e morto, Jesus ouviu de Pedro o seguinte: "Ainda que todos te abandonem, eu não te abandonarei!". Cristo foi direto: "Asseguro-lhe que ainda hoje, esta noite, antes que duas vezes cante o galo, três vezes você me negará".

Dito e feito. O sangrento “Paixão de Cristo”, de Mel Gibson, retrata a cena da traição. Pedro, assustado e temendo ser preso junto a Jesus, por três vezes o nega. O galo canta.  Jesus, já preso e sendo castigado, passa por Pedro e fita em seus olhos.

O mundo de Pedro caiu. Deve ter pensado: “Logo eu? Trair o Mestre? Eu, que estava com Ele no Getsêmani e na Transfiguração! Eu, que tive a revelação do céu de que Ele era o Filho de Deus! Eu, que à espada tentei impedi-lo de ser preso! Eu, que me chamava Simão e por Ele fui transformado em “Pedro”! Como poderei algum dia me reaproximar dEle? Como Deus algum dia poderá me perdoar? Jamais!”

Por isso mesmo, Jesus mandou dizer: “Diga também a Pedro”. Este era quem mais precisava ouvir em alto e bom som que estava sendo chamado de volta pelo seu Senhor. Certamente, se o recado tivesse sido dado somente “aos discípulos”, Pedro não iria ao encontro de Jesus, pois é difícil imaginar que Pedro ainda se considerava um discípulo, após a “tripla-pública-traição”.

“E a Pedro” é o resgate de um homem do fundo de um poço. À beira, por que não, do suicídio, como sucedeu a Judas.

Cristo faz questão de enfatizar “E a Pedro”. O pescador precisava saber que a Graça estava estendida também a ele, especialmente a ele, inclusive apesar dele.

Isto é graça: favor imerecido de Deus. Não se compra Graça nos supermercados. Nem mesmo uma vida santa compra a Graça. Ela é de graça. Pela Graça, Pedro foi ao encontro de Jesus. Arrependido, perdoado e livre pela consciência desse perdão.

Pedro foi outro homem após este episódio.  Algo tão marcante que apenas o evangelho de Marcos registra o detalhe “E a Pedro”. Isso porque Marcos, o autor do evangelho, andava com Pedro, sendo que o evangelho de Marcos foi ditado por Pedro. Assim, um detalhe que passou despercebido para os escritores dos outros três evangelhos não escapou aos escritos de Marcos. Pedro não esqueceu.

Imagine o quanto teria deixado de se realizar através de Pedro se ele não tivesse sido banhado por essa graça perdoadora de Cristo? Hoje, nos lembramos dele como “São Pedro”, e não como “O traidor Pedro”. Agora, imagine o quanto poderia ter sido feito através de Judas se ele ao menos tivesse molhado os pés nas águas dessa Graça?

Perceba que, no rodapé da cada página de nossas vidas, está escrito por Deus: “E a Germano”, “E a Ribamar”, “E a Aryane”, “E a Edilson”...

São provas (e você achará inúmeras delas, se procurar) de que a mesma Graça que lavou a alma  de Pedro está à sua frente. Basta o arrependimento, o reconhecimento e a disposição de fazer e ser diferente. Você, como Eu e Pedro, trai a Cristo todos os dias. Sempre que peca. Algumas vezes, faz pior: vil, fútil, fria, meticulosa, insidiosa, premeditada, dissimulada, torpe e calculadamente o vende por algumas moedas, como fez Judas.

Entretanto, este é o Deus capaz de escrever uma nova frase ou estabelecer uma vírgula na história, simplesmente para perdoar você. A vírgula que Judas não quis ver.  A frase que mudou a vida de Pedro.

Uma amostra grátis de quem Jesus é.

Então faça como Pedro. Atenda ao recado e corra. Corra ao encontro do Cristo ressuscitado.

domingo, 13 de março de 2011

UM OUTRO CARNAVAL

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Irretocável.

SERGINHO, KAKÁ, CORAGEM, CARÁTER, DINHEIRO, MAIS DINHEIRO, MAIS AINDA...

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Já havia publicado aqui no blog um comentário a respeito da “hora de parar”. Em qualquer função, esporte ou atividade, é essencial que o profissional, atleta ou coisa que o valha, compreenda quando este momento está chegando e tenha a coragem de tomar a atitude certa.

Serginho, o melhor líbero da história do vôlei, anunciou que não pretende mais defender a seleção brasileira. Segundo o craque, “já dei minha contribuição e não sei se eu seria mais útil. A seleção vem conquistando muito e precisa ser renovada.”

Impressiona o caráter demonstrado em uma decisão assim. Parar quando reconhecidamente se é o melhor não é decisão para qualquer um. O motivo não é sua total falta de condição física para continuar no vôlei. Tanto que ele continuará jogando em clubes. É que o jogador admite que não poderá continuar dando o melhor pela seleção sem que ela mantenha o excelente nível dos últimos anos. E, para não prejudicá-la, decide parar.

Uma forma de “sair por cima”? Talvez. Mas quantos de nós, em seu lugar, rejeitariam um novo convite de Bernardinho para continuar a estar no topo do mundo em um esporte e ainda “correr o risco” de ganhar mais títulos mundo afora? O técnico agora está tentando fazer com que o líbero mude de ideia. O anúncio de parada não parece um blefe. Afinal. Seria muito arriscado blefar e correr o risco de ficar fora da escalação do rigoroso Bernardinho.

Quer mais uma prova da grandeza da decisão de Serginho? Basta lembrar da última copa do mundo de futebol. Muitos sabiam e outros desconfiavam, à época, de que Kaká não tinha a mínima condição de jogar sete partidas, nem em uma pelada de bairro. Problemas seríssimos em seu joelho esquerdo faziam de sua convocação, além de uma farsa, um grande risco de que a lesão se agravasse e nunca mais o atleta voltasse a jogar.

Kaká foi convocado e ainda como titular da seleção. Todos vimos a melancólica atuação do jogador na África do Sul. Infelizmente, Kaká não apenas desmentia as notícias a respeito de sua condição física como tentava atribuir os boatos a uma perseguição religiosa. 

Veja o que ele disse em coletiva em 22 de junho do ano passado, em meio à copa: “Eu queria aproveitar a sua pergunta para falar sobre a coluna publicada por seu pai dizendo que o meu problema era mais sério do que o divulgado. Há algum tempo os canhões do seu pai têm me atingido, não para me criticar por motivos profissionais, mas por causa da minha fé em Jesus Cristo. Do mesmo jeito que eu respeito o Juca Kfouri como ateu, eu queria que ele me respeitasse por acreditar em Jesus Cristo. Milhões de pessoas acreditam em Jesus e ele precisa respeitar isso”.

Perseguição religiosa? Hum. Passou longe.

A verdade é que, infelizmente, o brilhante jogador (e exemplo de conduta social) não demonstrou coragem suficiente para dizer “não” a uma convocação que não apenas prejudicaria a seleção brasileira (como aconteceu) como ainda arriscaria sua carreira.

Veja só o que o jogador disse em 05 de janeiro desse ano ao jornal espanhol “As”: “Passei momentos muito ruins nestes meses, sem saber sequer se voltaria a jogar”. Já o médico que o operou logo após a copa, Marc Martens, disse: “Ele não deveria ter atuado” (na copa) e “Quando ele saiu da mesa de operações, não sabíamos realmente quando ele iria voltar”.

Desde a eliminação para a Holanda até aqui, Kaká jogou meia dúzia de jogos, está novamente lesionado e será demitido por seu clube, o Real Madrid. Uma pena.

Verdade também que não faço ideia do volume de interesses financeiros envolvidos em sua convocação para a seleção, nem mesmo o que isso significaria para a relação com seus patrocinadores. Por isso mesmo, não tenho coragem de jogar-lhe uma pedra (muito menos a primeira!). Dizer que em seu lugar faríamos diferente é muito fácil...

Também por isso o objetivo aqui não é condenar Kaká, mas destacar o caráter de Serginho.

A despeito de Kaká (que tomara ainda volte a jogar), viva Serginho. Ainda que Bernardinho consiga demovê-lo de sua decisão, já se trata a sua franqueza de uma qualidade transformada em uma atitude nobre, rara, corajosa, patriótica até, de um verdadeiro atleta.

Um verdadeiro exemplo.

domingo, 6 de março de 2011

ARIADNA E VOCÊ. TUDO A VER?

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O título é mesmo apelativo. Para chamar atenção.

Indo direto ao assunto. Em janeiro, passei pela “nobre” experiência de ter extraído quatro dentes “de uma lapada só”. Resultado: quase uma semana em casa, sem poder fazer muita coisa. Sensação de quem se sente inapropriado, inapto, entediado... Mas ainda capaz de refletir.

Bastaram alguns dias para que a TV aberta (praticamente a única opção de entretenimento) me capturasse sorrateiramente. Quando menos percebi, estava fã número 1 do Willian Bonner (mesmo sabendo que o Jornal Nacional é a fonte menos confiável de notícias no Brasil), conhecendo com interesse o início da nova novela das oito (ou nove) e, pasme você, olhando meio de relance (ou algo mais que isso) o programa do Pedro Lastimável Bial.

Os dias de enclausuramento tiveram fim. Ainda bem. Pelo menos eles serviram para algumas considerações. A primeira é que terei mais misericórdia na hora de criticar quem vive babando na frente da tela da Globo em horário nobre. Ali existe um imã sobrenatural.

A segunda é a constatação de como a grande mídia não apenas nos influencia ou reflete modas e costumes de um povo. Ela impõe padrões de comportamento.

O início da nova novela das oito mostrava um publicitário jovem, rico e famoso. Mas o que chamava atenção era a forma como ele era bem resolvido amorosamente. Se orgulhava de não querer nada além de sexo com cada uma das mulheres com quem se envolvia. Deixava isso bem claro no início de cada caso: “Só quero sexo. Amanhã, não te conheço”. A novela deixava clara a felicidade do personagem em não querer envolvimento algum com ninguém. Ele só “curtia” a vida. Sem compromisso amoroso algum. E como era intensa aquela felicidade!

Em outro núcleo da novela, um jovem casal de noivos às vésperas do casamento. De repente, o noivo conhece uma mulher e é absorvido por uma paixão arrebatadora e inesperada. Ele resolve terminar o noivado em nome daquela paixão. Quando menos me vi, estava torcendo para que ele terminasse o noivado e ficasse com sua “verdadeira paixão”.

Entre uma bolsa de gelo e outra, para baixar o inchaço de meu rosto, começava o BBB. O personagem principal logo se revelava: Ariadna, transexual. Ficou evidente que o rapaz ingressou no programa exatamente porque é transexual. Por nenhum outro motivo. Dias depois, ficou claro que isso fazia parte de uma campanha da grande emissora para popularizar o comportamento e a escolha feita pelo “ex-rapaz”.

Não é impensável que os planos da Rede Globo apontavam para uma vitória de Ariadna no programa. Mas, para a surpresa da emissora, a participante foi a primeira eliminada do programa. Um claro recado do público e um alento para quem, como eu, critica a forma como a grande mídia quase que obriga o país a agir, em inúmeras áreas da vida, da forma como lhe convém.

Na eliminação de Ariadna, Pedro Lastimável Bial poetizou: “Vem minha Pequena Sereia, Ariel Ariadna”. Insatisfeita com a decisão do público, a direção do programa inventou outra forma de levar Ariel de volta a casa. Colocou-a em uma casa de vidro com outros dois eliminados, para que o público decidisse quem voltaria. Enquanto isso, toda a programação da emissora se debatia para alardear Ariadna e a cirurgia que a “transexualizou”: Jornais, Anas Marias Bragas, Fantástico... Surpreendente como a TV consegue criar um fato, dar ressonância a ele e ainda que ele se torne o “toptwit” da hora.

Mais uma vez, a globo perdeu: Ariadna não foi escolhida. Mas a campanha global de formação de padrão de comportamento continua.

Penso, então, na forma assustadora como somos induzidos a pensarmos e nos comportarmos, segundo padrões que não escolhemos conscientemente. Nas pequenas e grandes coisas. Da forma de falar, passando pela roupa que se usa, pelas forma de pentear o cabelo, pela música que se canta e chegando aos objetos de adoração. Perceba em você mesmo.

Não adianta. Liberdade, com alguém já disse, é a possibilidade de escolhermos nossas próprias algemas. Por isso mesmo, os piores escravos são aqueles acorrentados sem mesmo saber. Sutilmente. Não têm (ou não temos) sequer a oportunidade de questionar, pois, sem sequer nos darmos conta, estamos torcendo pela separação do casal de noivos, aprovando a felicidade do solteiro pegador descompromissado, dando audiência a Pedro Lastimável Bial. E pior ainda: reproduzindo imediatamente atitudes e ideias que conscientemente condenamos.

Padrões de comportamento massificados, enlatados...

Escolhamos, então, as melhores algemas possíveis. Que tal, presos ao compromisso de amar sem esperar em troca, de escolher com criticidade o que passará por nossos olhos, de utilizar melhor o tão escasso tempo que temos para realizarmos obras úteis, para deixarmos um legado...

Que algemas você tem escolhido? Não fuga do privilégio de escolhê-las. Isso sim é liberdade.

Entre um Ariel e uma Ariadna, há muito mais que uma "decisão feliz corajosa de um ser livre para enfrentar o mundo". Detalhes que não aparecem em horário nobre... 

Plin-plin.

sexta-feira, 4 de março de 2011

SATISFAÇÃO. VOCÊ MERECE

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Amigos,

Estes dois longos dois meses sem postagem têm uma causa razoável.

Este blogueiro estava sem internet e sem computador!

Sim, é possível!!!

Mas o blog continua, ok? Obrigado por quem continua passando por aqui...

ISOLAMENTO E SELEÇÃO DE LEVEDURAS PARA USO EM PROCESSOS INDUSTRIAIS

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À mais nova e linda mestre e doutoranda em Engenharia Química da Universidade Feredal do Ceará, 

Meus parabéns e meus Eu Te Amos...

sábado, 1 de janeiro de 2011

AUTO-ESTIMA!

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Sem comentários.

PRÊMIO CRIATIVIDADE 2011

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O ano se iniciou com o anúncio da logomarca Rio 2016, as nossas olimpíadas. A marca, escondida a sete chaves pelo comitê organizador, trazia a expectativa de superar o fiasco do anúncio da logo Brasil 2014, a nossa copa (aquela que parecia uma homenagem ao Chico Xavier).

Aqui está:


Bonita. Pelo menos eu achei!

Bem, agora veja o que os idealizadores da marca disseram a respeito dela:

“A marca simboliza a natureza da alma carioca e sintetiza o povo brasileiro... traduz o Rio e os cariocas, sua natureza, sentimentos e aspirações... Sabe que são as pessoas que tornam o Rio de Janeiro uma cidade única... É possível ver várias coisas nela: Rio, montanha, sol, Copacabana. Ela é tridimensional, conectada às novas mídias. Nada mais lógico que uma marca escultura para uma cidade escultura. O propósito representado nos aros olímpicos invadiu nossa equipe e foi o combustível para a gente chegar até aqui hoje. A marca é muito estética, inovadora e criativa”.

Mas espere um pouco. O logo traduz o Rio e o Brasil? Uma marca única para uma cidade única? A natureza carioca foi o combustível criativo da agência de publicidade? A marca é criativa e inovadora?

Veja o logo abaixo, da TELURRIDE FOUNDATION, que, claro, foi criada bem antes da marca Rio 2016:


Parece ou não parece uma bela cópia? Quer dizer, nem tanto, porque a original é bem melhor. Aliás, seria melhor admitir que foi uma adaptação da marca já existente do que ficar no ar a impressão de que não foi possível se criar algo de vergonha realmente novo e nosso, "made in Brazil".

O que mais impressiona é que o processo de escolha da agência criadora do logo de nossas olimpíadas durou nove meses. Foram 139 concorrentes, todas nacionais, avaliadas por uma comissão julgadora de 12 pessoas. A vencedora tem mais de 20 anos de mercado e uma equipe de 105 profissionais.

Merece, então, depois de tanto esforço, o “prêmio criatividade 2011”, com boas chances de sustentar o prêmio até o ano dos jogos...

AH, ÓTIMO 2011 PRA VOCÊ! 

De preferência, com muita criatividade...

NÃO FUJA DA ESSÊNCIA!

domingo, 12 de dezembro de 2010

PENSADORES X CUIDADORES. DO QUE SE PRECISA MAIS?

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Responda rápido. Ou melhor: pare um pouco pra pensar:

As pessoas, individualmente, precisam ser cuidadas como ovelhas ou analisadas como cobaias?

As pessoas, enquanto comunidade, precisam de cuidadores (chame de “padres”, “pastores”, “diáconos”, “servos” ou do que quiser) presentes em suas vidas e lhes fazendo sentir menos sós ou de pensadores que definam brilhantemente “a presença” e “a vida”?

As pessoas, enquanto mundo, precisam de mais reflexões “supra-cosmo-divinas” ou de mais ações concretas e diárias a respeito das lições básicas (exatamente aquelas que ainda hoje não conseguimos cumprir, como “ame ao próximo com a si mesmo”!)? Precisam de novos pensamentos e teorias sobre “o ser o não ser do amor”, “a filosofia da alegria”, “o caminho da paz”, ou da concretização de amor, alegria, paz, paciência, amabilidade, bondade, fidelidade, mansidão e domínio próprio?

O caminho da complexidade das palavras esconde um mais simples, porém bem mais desafiador: o das ações.

As necessidades humanas são latentes e urgentes. Antes de se perder em novas teorias, que tal antes cumprir o que é básico.

Talvez, nem sobre tempo pra tantos “novos conceitos”

O que você acha?

Por Edilson de Holanda