quinta-feira, 27 de setembro de 2007

BEM-VINDO. ESTE É O BRASIL DE MARTA

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A seleção feminina de futebol do Brasil acaba de vencer pela primeira vez na história os Estados Unidos em um jogo oficial (4x0). Foi a pior derrota da vida das "yankes", cujo time principal estava invicto há 51 jogos. Se você não sabe, as americanas estão para o futebol feminino como o Brasil está para o masculino: "the best".

Nos Estados Unidos, 30 milhões de mulheres praticam futebol. Chegam a receber salários milionários, possuem uma liga profissional e são estimuladas à prática do esporte nas escolas e universidades [... ... ...]
No Brasil, apesar de toda a visibilidade do futebol, a versão feminina não têm sequer um campeonato nacional. São poucos os estados dotados de times femininos. Parece incrível. Não é apenas o país de um esporte só, em termos de importância midiática e incentivos governamentais. É o país de um esporte só e de um gênero só: o masculino.

A seleção feminina está classificada para a final da Copa do Mundo, domingo contra a Alemanha. Não importa o que acontecerá neste jogo. Fica o exemplo dado pelas meninas. Exemplo de vida. Esta seleção já foi semi-finalista em outra copa do mundo, medalhista de prata nas últimas Olimpíadas e campeã pan-americana recentemente. Há uma década dá bons frutos, mas nossas jogadoras têm que sair do Brasil para continuar praticando o esporte. Não porque os salários europeus são melhores (caso dos homens), mas porque aqui no Brasil não há onde jogar.

Quem assiste aos jogos femininos, percebe a diferença atlética entre as brasileiras e as norte-americanas ou australianas. Muitas de nossas jogadoras possuem outras atividades laborativas, para complementar a renda mensal. Não são profissionais. Não têm patrocínio. Não são raras as donas-de-casa. Jogam por amor ao esporte.

E como jogam! Não fazem corpo mole, como muitas estrelas masculinas. Não tiram a perna para se preservarem para o próximo jogo. Partem para a bola como um faminto rumo a um prato de comida. São heroínas. Elas chegaram lá. Estão conquistando o topo de suas carreiras. Sem apoio, sem reconhecimento. Mas com gana. Gana de viver, de vencer. Elas representam bem a mulher brasileira. Que tem jornada dupla, às vezes tripla. Que é desrespeitada e sofre tanto preconceito. Que carrega nas costas as responsabilidades de um lar.

Entre todas elas, está Marta. A melhor jogadora do mundo. Uma visão de jogo como a de Ronaldinho Gaúcho. Uma habilidade em dribles como Robinho. Uma facilidade em finalizações como Ronaldo. Uma velocidade como a de Kaká. Uma alagoana que persistiu em jogar no barro, na lama, até chegar aos gramados acarpetados "do estrangeiro", onde hoje se apresenta, dá shows. Assista aos lances de Marta no jogo de hoje, e você entenderá tudo, inclusive como ela tem inovado o futebol com alguns dribles:

(http://video.globo.com/Videos/Player/Esportes/0,,GIM735828-7824-MARTA+DA+SHOW+E+CONFIRMA+BRASIL+NA+FINAL,00.html).

Talento puro. Aliás, quem imagina que inteligência é apenas ler, escrever e "fazer contas" está desatualizado. Segundo as corretíssimas e novas teorias a respeito da inteligência, existem vários tipos dela. A lógico-matemática e a emocional, por exemplo. Uma delas é a inteligência cinestésico-corporal, que dota o indivíduo para atividades como a dança e o esporte. É exatamente por isso que quem pratica esportes é tão valorizado em países sérios para com seus filhos, como os Estados Unidos, e em países de cunho socialista, como Cuba (sem adentramos questões políticas agora, por favor).

Nem todos nascem com o talento para um esporte como Marta. Mas todos temos talentos. Para algum ofício. Outro "mas": talento apenas não basta. A vida não protege os que dormem. Nem o direito protege! Deus sim (Sl 127:2), mas com a ressalva de que os preguiçosos não são lá tão exaltados... (Pv 6:6-11). A vida está aí para ser conquistada. Com garra, disposição, vontade de vencer. E de ser exemplo, como as meninas do Brasil. A vida é de quem não reclama da sorte, não culpa os outros por suas próprias quedas, de quem se reconhece ator principal de sua própria história, de quem não se vitimiza frente às enormes montanhas que temos de escalar para chegar aonde queremos. A vida é de quem, mesmo sabendo que é difícil sair de baixo e chegar ao topo, diz: “E daí”? A vida é de quem "levanta, sacode a poeira e dá a volta por cima". E também é de quem aprendeu a bailar na lama do nada para um dia sambar na grama do triunfo.

De um brasileiro. Do país de Marta.

3 comentários:

Tati disse...

Sempre fico maravilhada ("boba") cada vez que leio um texto seu!

Te admiro muito meu amor!

Anônimo disse...

São Marta de belas jogadas, perdoe a nós pecadores. Perdoe por não acreditar nessa SELEÇÃO de belas estrelas(no sentido esportivo)e de grande jogadoras.
Uma jogada sua vale mais do que mil do são ronaldinho de arranques estraordinários, de belos dribles e maravilhosos gols.
Perdoe-nos todas as "anjas" que jogam ao seu lado. As minhas humildes desculpas devo as tais.
Oh, como pecadores são os brasileiros, egoístas e miseráveis que acreditam numa seleção que tem o DONI no gol. Sejam misericordiosas conosco, não levem em consideração ofensas passadas.
Deixo aqui esse humilde pedido de perdão.

By Dinho(claudinho)

Anônimo disse...

Gostei. Achei bem interessante.
Marcos Colares

Por Edilson de Holanda