segunda-feira, 7 de maio de 2007

SOBRE SIMÕES, CRISTOS E O SUCESSO

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Qual a fórmula do sucesso? O que torna uma pessoa bem sucedida em dias obtusos como estes? Um golpe de sorte? Um projeto de vida bem elaborado? Nunca dizer “nunca” para as possibilidades da vida? (mesmo que em apenas uma frase já o tenha dito duas vezes!). Um QI (Quociente de Inteligência) acima da média? Um QI (Quem Indica) aplicado na hora certa?

Aqui cabe uma interrogação:
[... ... ...]
Teria sido Cristo um homem de sucesso, um vencedor? Foi morto aos trinta e três anos por seu próprio povo, com apenas três de efetivo trabalho. Alguém que possui um projeto para mudar o mundo e é morto sem sequer ser aclamado em sua própria terra pode ser considerado um campeão? As evidências respondem e não dão margem a maiores questionamentos: este homem simplesmente dividiu a História ao meio! Em “antes” e “depois dele”. Não pretendo ofender a inteligência do leitor detalhando a importância deste fato.

Ultrapassada esta fase, atentemos agora para Cristo. Os meios que ele utilizou para tornar-se bem-sucedido divergem dos que os poderosos de sua época lançaram mão. Diferem também do que hoje o senso-comum considera digno de uma vida de conquistas.

Como exemplo dos métodos de Jesus, lembremo-nos do pescador Simão. O relato bíblico nos leva a construir uma imagem peculiar a seu respeito: a de um trabalhador rude, marcado pelas linhas do tempo e do sol causticante do litoral de Cafarnaum. Pouco letrado, era ainda dono de uma personalidade fortíssima e intempestiva que por vezes revelou-o “pouco sociável”.

Jesus manteve um breve contato com este homem, este qualquer, à beira do mar, e de pronto convidou-o para ser seu discípulo! Mais intrigante ainda é que este Simão se tornou o inesquecível apóstolo Pedro, nome adotado por ele posteriormente. O que operou essa mudança, transformando um homem aparentemente vocacionado para o anonimato em um dos mais reconhecidos apóstolos do Cristianismo? A resposta: o ideal de vida de Jesus.

Cristo não teve a ambição nem o menor interesse, de enriquecer. Com sua inteligência, somada à vocação empresarial dos judeus, ele teria sido um ótimo comerciante e administraria muito bem vários funcionários. Com sua fluência verbal e capacidade de mobilizar pessoas, ele seria um renomado político. Mas este também não foi seu intento. Jesus também não quis ser reverenciado como famoso pregador (posição muito valorizada hoje em dia), cargo que facilmente assumiria caso comungasse com a hipocrisia da religião judaica e com a opulência dos fariseus.

Ele também não se preocupou com “ser famoso”, na acepção do termo, senão teria anunciado uma mensagem fácil, não desafiaria a estrutura vigente e não seria morto, mas aclamado. Mas ele escolheu não abrir mão de seus princípios éticos e não se colocar em primeiro lugar frente às pessoas (o que hoje seria um passo atrás para a promoção pessoal de um indivíduo que busca o pódio).

Com todos estes mecanismos, Jesus parece um peixinho nadando contra a correnteza. O que ele pregou e viveu, o que propõe para nós ainda hoje, contraria o senso comum e o senso elaborado dos “manuais de um vencedor”. Entretanto, ninguém pode dizer que ele fracassou em sua meta. Afinal, não só a História mudou por sua causa como estamos falando sobre ele agora. Sua mensagem continua sendo propagada.


Simão foi transformado em Pedro porque todas as características acima descritas e todos os esforços de Jesus contribuíam para o objetivo principal de sua vida: INVESTIR EM PESSOAS. Ele tinha o dom de olhar para o ser humano e ver mais que seu exterior, além dos estereótipos que criamos. Enquanto analisamos as pessoas próximas a nós e as reduzimos a um ou outro adjetivo e, a partir de meros “achismos”, as julgamos e condenamos, Jesus via e vê em cada um cada um potenciais, virtudes, talentos.

Por trás de um sorriso amarelo de um trauma, escondem-se qualidades únicas. Por trás de uma personalidade intragável de um adolescente rebelde, existe alguém que apenas deseja ser amado. Por trás do pior malfeitor, Jesus teima em descobrir um ser humano que algum dia se perdeu, mas que está pronto para ser achado, perdoado, curado e radicalmente transformado.

Nasceu em Jesus a visão de que o pescador iletrado seria um dos co-autores da Bíblia. A saga do grande Pedro é fruto do amor, da paciência e da dedicação de Cristo para com o discípulo. Quantas vezes Jesus repreendeu a Pedro publicamente, corrigindo-o, ensinando. E quantas vezes Jesus se desmanchou em amor por ele, revelando que “amar é gastar tempo junto”.

Pedro é apenas um exemplo, dentre inúmeros, que demonstram como o investimento em pessoas rende os frutos mais saudáveis da Terra. Jesus amou a seus semelhantes - e a toda a humanidade, representativamente – com todas as suas forças, e isto fez toda a diferença para o mundo. Cristo venceu e suas palavras se propagaram por mais de dois milênios porque seu amor pelas pessoas deixou marcas indeléveis, históricas, eternas e contagiantes. Se hoje podemos adjetivá-lo como “alguém de sucesso”, isto se deve ao seu investimento pessoal para com cada um que lhe cortava o caminho.

Conheço alguns pequenos cristos (cristãos). Eles me ensinam que a essência de viver é se afeiçoar por vidas, não desistir das pessoas, fazer discípulos. Posso lembrar de momentos-chave de minha vida, em que carregava fardos pesados e as circunstâncias pareciam me aconselhar a parar, desistir. E pensei sim em jogar para o alto projetos, sonhos ou meros desejos. Até planejei a melhor forma de sair de fininho e não dar explicações.

Mas eu olhava para os lados, me via cercado destes pequenos cristos e dizia: “Não posso desistir. Eles continuam acreditando em mim”. O êxito de cada etapa vencida por mim até agora foi a vitória de quem esteve cercado de pessoas dispostas a investirem em mim amor, amizade e tempo. Após um tropeço, o ombro de um amigo ou o sorriso de um grande amor podem significar o início de uma reviravolta. Se você quer ser um vencedor, CERQUE-SE DE PESSOAS QUE ACREDITAM EM VOCÊ.. Cerque-se de pequenos cristos, pois neles estão impressas as marcas do CRISTO VERDADEIRO.

Por outro lado, se você procura um investimento para dedicar sua vida, faça como Jesus: invista em pessoas. Ame-as. Ame Simão como Simão que ele é. Não desista dele sem antes cogitar o nascimento de um Pedro. Como Simão, cerque-se de pessoas que acreditam em você. Como Cristo, acredite nos outros.

11 comentários:

Vanessa disse...

Puxa...Fiquei sem palavras...mas vou tentar fazer um comentário. Meu amigo esse texto abalou as estruturas do meu coração. Uma mensagem clara que faz agente desejar investir em pessoas. Parabéns por vc escrever o que vc vive. Um grande abraço!

Joao Carlos (JC) disse...

Cara....um texto de se admirar e refletir um pouco no que estamos fazendo, buscando e pensando para nossas vidas.
Uma missão nem um pouco facil, muitos aplaudem, a midia vangloria pessoas assim, que investem em pessoas, contudo poucos tem coragem de enfrentar esse modo de vida pregado por Jesus.
Abração Amigo!

Danielle Pessoa disse...

Meu amigo, que bom terminar um dia cansativo de trabalho e mergulhar em idéias tão legítimas e poderosas. Quero ser desafiada todos os dias da minha vida por essa proposta! Obrigada por edificar nossas vidas. Nós te amamos. Dani e Xande

darlan.manu disse...

Edilson, meu querido Edilson...

É com lágrimas que tento dizer algo nesse coméntário...Estou admirada e maravilhada com seu texto e oro a Deus para que a cada dia nos faça mais parecido com seu filho CRISTO! Investimento em pessoas, seja ela quem for...esse é o meu, o nonosso desafio,agradeço a Deus por ter dado o privilégio, a mim e a meu esposo de caminhar mais proximo de ti, que a nossa amizade possa ser sempre sincera e transparente, conte conosco e vamos adiante desse alvo tão precioso: SER A IMAGEM DE JESUS CRISTO!!

Com carinho e amizade,
Manu

Andre Tavares disse...

Não sei se tenho essa vocação para Pedro. Não é que eu duvide do poder de Deus em transformar as pessoas, ou de Jesus, ou os dois juntos em um só, como queira, eu apenas não espero. Melhor dizendo, eu espero, mas não anseio. Talvez esse seja o meu maior defeito hoje. Ter perdido a capacidade de ansear, de desejar as coisas como outrora eu desejei.

Talvez eu pareça mais com Paulo. Atualmente mais pra Saulo,rs. Mas o que me consola é que, mesmo sendo o rude Simão ou o determinado Saulo, eu creio que Jesus sempre está disposto a buscar um Pedro ou um Paulo. Eu já ouvi falar, e até fui alertado sobre lobos em pele de cordeiro. Às vezes, eu penso ser um cordeiro vestido como lobo. Não sei se quis vestir essa pele nem quando eu a vesti. Mas eu tenho certeza que Jesus me vê como sou. E não estou aqui dizendo que sou cordeiro. Quem sabe o que sou? Digo que creio que Jesus me vê como sou. Eu sou o que "sendo" né Edílson,rs. E naquela hora crucial e que muito se arrependem e se salvam, se não acontecer comigo...tudo bem. Porque eu vou saber que o Deus que nos guia sabe o que faz, ele "é o que é". E embora muitas vezes eu não confie em mim, em todas essas vezes eu não desconfio dele.

Edilson de Holanda disse...

Agradeço de coração por todos os comentários, principalmente porque vêm de pessoas de tanto valor e importância pra minha vida. A presença de vocês aqui já eleva o nível do blog! Convido também a conhecerem os outros textos postados.

Ao meu amigo André, digo que além de sermos um "sendo" nós somos. Somos amados por Deus. E é isso o que interessa de verdade. Não só nos ama como tem todo interesse em se relacionar conosco de forma íntima. Isto é o que desejo pra você, amigo. O mais valoroso tesouro que alguém pode ter: a certeza de que Deus o ama e se relaciona com você.

Abração a todos!

/nathy_isis disse...

obrigada, pois aprendo com vc. aprendo a ter mais fé, mais esperança, a amar, a confiar, a acreditar e a ser amiga.
fico feliz quando vejo a sua fortaleza. e ainda mais feliz quando vejo pessoas sendo tocadas pelas suas palavras.
vc falou para estarmos perto de pessoas que acreditam na gente. e eu acredito em vc.
que Deus te abençoe e que vc continue tocando os nossos corações com suas palavras inspiradas no amor!

Ricardo Facó disse...

Cara, você foi bem em cheio. Confesso que estava meio emaranhado em um bocado de questões, mas outras coisas aliadas ao seu texto aqui me fizeram repensar minhas motivações pra vida. Vou tentar mudar um pouco mais e estou buscando em Deus uma noa direção. Abração!!!

Edilson de Holanda disse...

Valeu Nath e Teo,

Obrigado por passar por aqui!

Abração!

Moisés Lourenço Gomes disse...

Deus e o Tempo
Moisés L. Gomes
http://merapalavra.blogspot.com/

O HOMEM NÃO É TOTALMENTE LIVRE, mas também não é manipulado por Deus.
Digo que o Homem não é totalmente livre, pois ele escolhe aquilo que lhe é tendencioso e psiquicamente, direcionado. O homem é preso em si e entre si.

Deus não age em relação ao homem tendo que antes esperar o que o homem escolherá. Deus não espera, pois Ele está acima da dimensão temporal. “Esperar”, implica em duração, passado, presente e futuro. Mas Deus está acima do tempo. Nós temos a sensação de que Deus está esperando, mas é porque estamos dentro do tempo e por isso as coisas de Deus acontecem gradativamente, mas isto é uma sensação humana.
Ex: Deus mudando a minha realidade, Deus me livrando, Deus me ajudando, Deus intervindo, Deus me poupando segundo o meu arrependimento, Deus se alegrando comigo e Deus se entristecendo comigo. Tudo isto que acontece. Pra nós, é gradativo, pra Deus, é simultâneo - Tudo acaba em harmonia!

Duas coisas que não acontecem:
- Deus “esperar”, literalmente e em seu estado pleno, pra realizar algo;
- Deus não tem nada a esperar porque Ele determinou o que o homem há de escolher.

Esses dois pensamentos colocam Deus dentro do tempo com “suas malas e cuias”!
“Nós escolhemos, então Deus entra em ação”…Só que na verdade, quem esperou foi o Homem e não Deus, pois Deus não está condicionado ao tempo. Ou seja, o que acontece é que enquanto estamos escolhendo, na verdade já está tudo realizado, não porque Deus determinou, mas porque Ele está fora do tempo. É como se num estado presente, Deus “esperasse” o homem fazer sua escolha e com esta escolha, se for o caso, emergir com uma providência divina, por exemplo.
Só que tudo isto acontece num “estado presente”. Incogniscibilidade de Deus!

Deus é Eterno. Ele não teve origem. O tempo não passa pra Ele, pois Ele está fora do tempo. Ao mesmo tempo em que ele se relaciona com o homem, nada disso é passado ou futuro e sim um fato presente muito loko!
Pra Deus deixar de “conhecer o futuro”, Ele não seria o “Deus que É”, e sim o “Deus sendo”!
Deus não manipula ninguém; Deus não é pego de surpresa; O homem não é livre. Ele tem a liberdade de se inclinar às suas prováveis obviedades.

Deus não passa a ser um manipulador por Ele conhecer os mínimos detalhes do nosso, passado, presente e futuro. Não o faz determinista. Não o exclui de ser relacionar a ponto de “chorar” ou “rir” com o Homem.
Conosco, as coisas acontecem sucessivamente. Com Ele, acontece simultaneamente.
Conosco, a árvore é plantada, regada e sucessivamente, a vemos crescer...
Com Deus, a árvore é plantada pelo Homem, regada pelo Homem e é vista, crescendo, de modo simultâneo (se perguntarmos “quando” isso acontece, já estamos perguntando errado, pois “quando”, refere-se à temporalidade.....).

Em nossa dimensão, (percepção através da linearidade ou aleatória do tempo) assimilamos Deus operando em sucessões...
(ex.: Cristo nasceu......cresceu....morreu....ressuscitou)

Mas, na inteireza de nosso grande Deus, Ele interfere de modo simultâneo (uso o termo simultaneidade, pois acho que é o termo que mais se aproxima quando tentamos falar em algo atemporal).

Ora, dito isto, nada é imaginativo. As coisas acontecem diferentes: Com o Homem é sucessivo! Com Deus é simultâneo!

Dentro do tempo, Deus "está" agindo. Na plenitude de Deus, nada é presente, passado ou futuro!

Loucuras de meu Deus!rs

A obviedade da sensação que temos de "Deus esperar" à nossa reação, não implica que Ele, também, esteja esperando na Eternidade, a minha decisão a ponto de não saber qual será a minha escolha...

O Homem escolhe. Deus já sabe. Com essa decisão humana, Ele "ri" ou "chora". Só que isso reflete-se sucessivamente em relação ao Homem e simultaneamente (ou algo parecido), na inteireza de Deus.

Deixemos a funcionalidade de Deus para Deus!

Senão ficaremos loucos!

Edilson de Holanda disse...

Muito obrigado pelo comentário, Moisés. Identifique-me com a essência do que você disse. Convido-o a conhecer os outros textos e comentar também.

Cordialmente,

Edilson de Holanda.

Por Edilson de Holanda