quarta-feira, 2 de setembro de 2009

VOCÊ PRECISA MESMO É DE...

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A maior necessidade do ser humano é sentir-se aceito. Sentir-se parte importante da vida de alguém ou de alguns, sentir-se necessário e, em última análise, amado.

As mais importantes coisas da vida são de graça. O amor, a amizade e principalmente a presença de Deus, que nos sustenta e nos mantém de pé, mesmo que não saibamos ou ignoremos essa verdade.

Não podemos perder a oportunidade de marcar a vida de alguém, principalmente os que amamos, com palavras ou gestos que demonstrem o que sentimos ou a importância, mesmo que velada, desse alguém por nós [... ... ...]

Somos bombardeados por um tempo que valoriza o individualismo, o egoísmo, a boa colocação profissional, o status e o dinheiro como o auge a ser perseguido. Esquecemo-nos de que nada levamos da vida, a não ser o que representamos para os que ficam.

Nada é mais importante que o ser humano. Quem é a pessoa que senta ao seu lado na sala ou que esbarra em você nos corredores de sua casa ou de trabalho? Você a conhece mesmo? Já conversou com ela sobre seus problemas mais profundos e se dispôs a ouvi-la, mesmo sem o compromisso de solucionar suas questões? Apenas ouvir... E fazê-la sentir-se simplesmente importante?

Ou será que o colega com quem você convive serve apenas para lhe ser conveniente?
Como um amigo disse, nossos ambientes muitas vezes são tão repletos de pessoas, mas vazios de significado!

Sabe por quê? Porque o que realmente tem significado são as pessoas. Kant, um filósofo do Direito dizia, em outras palavras, isso. Jesus também.

Segundo Kant, o ser humano não pode ser um meio. Deve sempre ser o fim, conforme afirma a segunda formulação de seu imperativo categórico: “Age por forma a que uses a humanidade, quer na tua pessoa como de qualquer outra, sempre ao mesmo tempo como fim, nunca meramente como meio”. Tal sentença guarda semelhança com a “Regra de Ouro”, estabelecida por Cristo, ao proclamar: “Como vocês querem que os outros lhes façam, façam também vocês a eles”. Ou seja: Amemos nosso próximo como a nós mesmos. E antes, a Deus sobre todas as coisas. Isso já é suficiente.

Feito isso, a função de cada um de nós na Terra estará plenamente cumprida. E nem precisará que nenhum de nós seja um ministro(a) do STF (cargo de inigualável influência e poder) ou um (a) milionário(a) cobiçado(a) para que nos sintamos completos, realizados, pois teremos descoberto o que realmente importa.
Porque podemos alcançar tudo aquilo e não aprendermos a valorizar o que merece de verdade nossa estima: quem está próximo a nós, precisando de algo tão rico, porém tão simplório: atenção de verdade, amizade despretensiosa e altruísta, relacionamentos imbuídos de fidelidade, sinceridade e abnegação.

Por fim, não podemos nos esquecer de que Deus nos aceita da forma como estamos. E que nos ama, da forma como somos. Ele nos ama incondicionalmente, profundamente e eternamente. Tanto que abriu mão de seu trono para vir a Terra provar seu amor, tornando-se humano, sofrendo como nós sofremos e morrendo em nosso favor, para que fossemos livres, como somos, a fim de que nos relacionássemos com o próprio Deus e, como conseqüência disso, nos amássemos uns aos outros, como um reflexo do Deus que nos amou primeiro.

Não se trata de religião. É vida. Só há vida de verdade com amor. O amor é um dom perfeito. E todo dom perfeito vem de Deus. Não demonstrar amor por quem está próximo a nós é como ter a cura do câncer e não se apressar em distribuí-la por onde quer que haja um doente. E em matéria de necessitar ser amado, todos somos, em alguma medida, doentes.

Aliás, amor não é amor até que nós o demonstremos. Enquanto nosso amor permanecer “encapsulado” ou “encubado”, nossos pais, amigos, conhecidos ou colegas não saberão da existência dele.

Deus nos ama como somos, com todas as nossas imperfeições. Ao sentir esse amor, temos que deixá-lo transbordar em nossas vidas, respingando em quem está ao redor, para que todos saibam que Deus é bom, que não desiste de nós, que Ele nos acolhe e afaga e que, como bons filhos, queremos ser iguais ao Pai.

Deus nos aceita. Aceitemo-nos.

10 comentários:

Só pensando um pouco disse...

Endosso tudo o que vc falou. À propósito, vc tem alma pastoral e isso é muito bonito de se ver. Bjo.

Marcelo disse...

Muito bem falado cara, muito sábias tuas palavras, irrepreensíveis mesmo. Quem bom seria se todos nós tivéssemos esse foco principal de vida, apenas de investimento em pessoas, relacionamentos, e não em coisas, objetos, dinheiro...

Anônimo disse...

Querido Dilsinho,
Parabéns. Muito lindo tudo que consta de seu blog. quem viu nascer aquela criança pequena, frágil, hoje vê você com toda essa capacidade só pode se orgulhar de te-lo em seu relacionamento.
abração

Guassyr Gomes Parente

Tati disse...

Que bom que está de volta!!!!
Embora eu sempre tenha tido o prazer de ouvi as palavras mais lindas e enternecedoras pessoalmente, é bom dividir com os demais!
Quem tem o prazer de conviver com o Edilson e usufruir de seu amor pelas vidas sabe do que estou falando.
Lindo, meu amor! Como sempre!

Wagner disse...

É verdade caro irmão Edilson. Isso me faz pensar...Será que estou vivendo na abundância do amor de Deus? Amo adequadamente as pessoas que fazem parte da minha vida? A maneira como trato as pessoas reflete a maneira como Deus me trata? O amor de Deus é perfeito. O mundo precisa conhecê-lo.

humbertopnunes disse...

Meu amigo Edilson, de fato o assunto que você aborda é algo que tem deixado muito a desejar nos relacionamentos mundanos. As pessoas precisam aprender a viver em função das outras pessoas e não em função de bens matériais ou prestígio, pois essa é a vontade de Deus. Parabéns pelo blog, muito interessante.
Um abraço!!!

Cláudio disse...

Querido amigo, parabéns pelas sábias palavras. Qualquer pessoa que se depare com esse texto será compelido a pensar sobre a verdade dessas reflexões, inegavelmente bem arranjadas num todo coeso e harmônico.
Gostaria de ressaltar, no entanto, que não as veria com os mesmos olhos se provenientes de muitas das pessoas que conheço. É que a maior preciosidade de suas afirmações está na maneira pela qual você pauta a vida que lhe foi dada, isto é, na perfeita correspondência entre o que pensa e o que vive.
A proficuidade da semente que se lança depende, e muito, da autoridade moral de quem semeia. Cristo foi um revolucionário porque, além de santo e filho unigênito de Deus, anunciou pelo exemplo a razão por que veio, sempre realizando na prática o amor exalado por suas palavras.
A propósito, não fosse pela integridade moral de Jesus, teria se esvaído aquela multidão diante de Maria Madalena? Será que, embora com as mesmas palavras (“atire a primeira pedra quem nunca tenha pecado”), teria um rábula galgado o mesmo fim ou passado à História como um mero subversor da Lei de Moisés?
Palavras ao vento, dissociadas do que refletem nossas atitudes, soam muito bem aos ouvidos, mas, dificilmente, surtem algum resultado. Basta que lembremos quão belas são as intermináveis mensagens de formatura. E o que dizer dos discursos parlamentares, por vezes tão impecáveis que até lamentamos a mediocridade do orador?!
Por tudo isso, reitero: o texto guarda muito mais beleza porque escrito por alguém como você. Endossando o que a Tati disse, ninguém que lhe conheça de perto ousaria questionar a sinceridade dessa maravilhosa elucubração sobre os relacionamentos.
Marcar a vida de alguém, com palavras e gestos que demonstrem a importância desta pessoa, é algo que lhe identifica constantemente, uma marca mesmo do precioso convívio com um amigo contagiante, admirável, genial, espetacular... inesquecível.
Quantas vezes, fui alcançado por atitudes suas, sempre tão cheias do amor Deus, do belo perfume de Cristo. É notório que sua vida reflete na prática tudo quanto foi dito, e, justamente, porque as coisas mais importantes nos vêm como dádivas, é que jamais poderia recompensar a graça de tê-lo no meu caminho.
É um amigo que não imaginei ser capaz de encontrar, um verdadeiro irmão para quem os meus problemas parecem ser seus. E como os seus gestos e atitudes me instigam a viver, sempre me aconselhando e disposto a ouvir o que, muitas vezes, até as paredes já estão fartas de escutar!
Enfim, poderia ressaltar uma infinidade de outras qualidades suas ou fazer uma retrospectiva de tudo quanto compartilhamos ao longo desses anos. Poderia também ressaltar seu namoro com a Tati (o casal mais inspirador e mais bonito que eu já vi!) ou tecer mais comentários sobre a grandeza de sua existência na minha vida. No entanto, reconhecendo a brevidade que deva ter um mero comentário, findo por aqui asseverando que nada do que eu fizesse ou faça seria ou será capaz de retribuir tanta amizade e cumplicidade, tanta abnegação e dedicação, tanto companheirismo...
Sou grato pela maneira como foi capaz de me amar e me levar a Cristo, sempre exalando a contagiante pureza de quem carrega o semblante de Deus. Aliás, creio que JUNTOS alcançaremos ALGUNS, que levarão a MUITOS o evangelho de Jesus. (Quase um Armando, não?! Hehehehehehehhe)
Amo muito você, “meu amigo de fé, meu irmão camarada...”

Landir Castro disse...

Edilson,

Tenho lido o texto no seu Blog, e há alguns dias pensado em como responder, algo que pudesse expressar o meu pensamento da maneira mais clara possível, lí teambém o que o Cláudio respondeu, e pode ter certesa, e sei que você tem, ele escreve de coração, e eu sei que voces dois falam de coração, fato que me deixa muito feliz.

Vou utilizar uma frase de Marx, que diz, " até agora os filósofos se ocuparam em interpretar o mundo, é nosso dever transformá-lo"

Os revolucionários vieram não só interpretar o mundo, mesmo indo contra todo o ódio das classes dominantes, de um sistema capitalista - que o Cláudio insiste em dizer que é invençao da minha cabeça - defender o direito a liberdade, ir de contra as injustiças, a violência contra os mais pobres, contra a sanha, a ganância pelo dinheiro, pelas elites que historicamente usufruem do poder para enriquecer as custas da miséria do povo.

Vocês falam muito em Jesus, admiro as atitudes dele, suas idéias, suas aspirações.
Agora, discordo quando você fala que somos livres pelas atitude que Jesus tomou, admiro, mas infelizmente NÃO SOMOS LIVRES, cinceramente busco, aspiro diariamente esse dia, não quero ser irônico, mas só se você admitir a liberdade para alguns e outro não, ou devemos garantir direito pra todos, enquanto houver injustiças, e elas existem aos montes, mas dizem que o povo não tem capacidade, que ele não tem cultura, que ele deve é trabalhar que é o lugar dele, ou alguns mais reacionários, dizem que o lugar do povo é nas cadeias, nas prisões. Quando aceitamos isso estamos dizendo que é incapaz de estudar, de entrar numa faculdade, de entender, de elevar sua cultura, uma pessoa vinda , dum município do interior do Ceará, do Nordeste do Brasil.

Qual o sentido das nossas vidas?

Viver.

Seria uma resposta sensata, buscar uma vida de felicidade.

O que significa isso?

Acho que Jesus tinha razão, como Gandi, e alguns que usaram da PAZ para buscar um mundo melhor, onde todos tivessem acesso, não é o que vejo, não será aceito um mundo onde exista riqueza, aos montes, e a gigantesca parcela da população viva na miséria, passando as mais absurdas dificuldades, onde seja negada a diganidade, o direito de viver, por um punhado de pessoas que se dizem especiais, inteligentes, superiores, mais na verdade o que garante esse domínio, é a posse do poder, em suas mãos, de decidir, de tomar todas as decisões.

Pela paz, não é possível haver mudança, pois os opressores, principalmente os países imperialistas, que dominam esse mundo, - não é coisa da minha cabeça, pois em 1500 chgaram por aqui os invasores portugueses, eramos colônia, depois ficamos sob exploração de uma outra potência, a Inglaterra, e ainda hoje apesar de dizerem que somos livres, festejarmos "a nossa independência", somos um país atrasado, não passamos de uma semi-colônia, explorados, saqueados, chegamos ao absurdo que restarem ainda resquicios de semi-feudalidade, no campo, principalmente um campo que a cidade não conhece, não reconhece, que a ideologia dominanate, a burguesa, como disse, criminaliza, por causa de sua sagrada luta pela terra, pela dignidade, pela liberdade.

Landir Castro disse...

Enquanto houver injustiça, miséria, massacre de camponeses por causa de terra, de criminalização da pobresa, não seremos livres, e tudo que você escreveu é muito bonito, mas tem que ser direcionado para todos, não exite liberdade com miséria, não existe liberdade com fome, não existe liberdade sem dignidade.
Pareço meio, como me chamam, pessimista, diria realista, e muito preocupado em atuar nessa mudança, em busca da justiça, como vocês.

O que é justo?

Existe a violência injusta e a violência justa.
Quando um país invade outro, com a intenção de saquear suas riquesas,de escravisar seu povo é justo que esse povo se defenda, que lute, quando os portugueses invadiram a África, para fazer aquele povo escravo, era justo que eles lutassem até a morte contra os invasores, nossos índios, os palestinos, Canudos, Calderão, Quilombo dos Palmares, Espartacus etc, etc, etc, etc.

Quando há intenção de explorar, escravisar, matar, para roubar um povo, para sutentar a vida parasitária, com vemos muito claro na Europa, um luxo, um padrão de vida desconexo com a realidade do mundo, com a fome da África, da Ásia da America Latina, e sabendo que toda essa riquesa foi e continua sendo as custas de roubo, de invasões, de violência.
Digo com todas as minhas forças, REBELAR-SE É JUSTO!

E só assim será possível que o ser humano seja aceito, seja respeitado, quando ele lutar contra as injustiças, só assim seremos e teremos uma veradadeira liberdade, pois a que hoje dizem que temos, é falsa. É com muito otimismo que digo, não existe maior sentido nas nossas vidas quando a usamos para servir a quem precisa, para a elevação da humanidade, para que a roda da história possa girar, quendo servimos o nosso povo, pois são eles que fazem história, são as massas as detentoras do poder, são elas que alimentam o nosso país, que constroem todos as prédios, tudo que tem valor. Transmitir uma mensagem de tranformação, de destruição das injustiças, é a nossa tarefa, nossa missão, como nos ensinou Jesus, Gandi, mas que só é possivel, só tem validade, se conseguirmos verdadeiramente tranformar, por isso sigo o caminha da luta, de Marx, Lênin, Mao, pois só haverá mudança na luta.

Temos dois caminhos a seguir, servir aos opressores ou servir ao povo, querer ficar isento dessa luta nos faz automaticamente ficar do lado dos exploradores. Que contruamos o mundo de liberdade, vamos precisar destruir esse mundo de miséria, de necessidade.

Falo também de coração, pode crer!

carlos disse...

Que Kant que nada, o Dilsinho é que se garante.
Parabéns Irmão - Só um cristão maduro poderia escrever um texto assim.

Por Edilson de Holanda