domingo, 16 de dezembro de 2007

O NADA E O SABER VIVER

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"Quem espera que a vida seja feita de ilusão, pode até ficar maluco ou morrer na solidão. É preciso ter cuidado pra mais tarde não sofrer. É preciso saber viver."

Há quem diga que a vida é feita mais de sofrimentos do que de alegrias. Há quem diga que felicidade não existe, mas apenas momentos felizes. O certo é que ninguém pede para nascer. Ninguém pede para vir ao mundo. E mais: se, ao nascer, nos fosse mostrado tudo o que enfrentaríamos ao longo dos anos, não sei quantos escolheriam vir à existência.

Acho que por isso não nos foi dado o poder de conhecer o futuro. A regra é que Deus não permite que conheçamos o porvir. Mesmo sabendo dos sorrisos que esboçaríamos, nos assombraríamos ao prever as dores, as decepções, os medos, as inseguranças, as ansiedades à nossa espera [... ... ...]
Precisamos aprender a navegar, com equilíbrio, entre os extremos da segurança de que Deus é sempre presente e da “certeza de não temos todas as certezas”, de que não controlamos todas as circunstâncias e de que não podemos prever todos os resultados, todas as conseqüências que envolvem nossas vidas. É isso: não podemos controlar as pessoas e suas escolhas, não podemos exigir o amor de ninguém, não podemos encarar o mundo como se pudéssemos por nós mesmos derrotá-lo como heróis de cera. Não controlamos o imponderável. E o que não é imponderável ao nosso redor?

Existe um vazio, um nada entre esses extremos. É nesse nada que devemos viver. É no nada que temos a certeza de que somos pequenos, talvez menos ainda que grãos de areia, que não podemos, individualmente, contra os sistemas e que não vale a pena sujar as mãos ao lidar com os gângsteres de cera.

O meio destes extremos, o nada, à espera de ser povoado, nos avisa a todo instante não apenas que não somos marionetes de Deus, mas que também não temos marionete alguma.

Não temos peitos de aço. Por isso cantarolo Fagner, em "Guerreiro Menino": “Um homem também chora, menina morena. Também deseja colo, palavras amenas. Precisa de carinho, precisa de ternura, precisa de um abraço da própria candura".

Precisamos viver neste nada, que, na verdade, é a inexistência de maiores certezas, a afirmação da fé. Se você preferir, encare a fé como a certeza necessária, que ela na verdade é. Loucura para muitos, poder de Deus para outros. Viver o nada é entregar-se inteiramente ao Tudo. É aprender a depender de Deus, exatamente por sabermos que não há força suficiente em nós. É nos rendermos, nos quedarmos perante Ele, e asism desvendarmos os maiores mistérios da vida.

Quero viver nesse nada. É no pó de reconhecer minha humanidade que quero experimentar crescentemente a paternidade de Deus, que cuida de mim enquanto faço a minha parte. Eu sei que "Ele sussurra em meus prazeres, fala em minha consciência e grita em meu sofrimento".

Este nada não quer ser o nada dos existencialistas-ateus-sartrianos, que afirma não ser o ser humano dotado de qualquer conteúdo apriorístico, mas o nada de deixar, em uma escala ainda mais avançada de conhecimento vital, que Cristo viva em mim, afirmando mimha personalidade, em união a Ele. Assim saberei quem é Deus: quando desistir de assumir o seu lugar. E tenho certeza: não serei anulado enquanto indivíduo ou enquanto ser pensante ou sentidor. Apenas descobrirei porque sou humanos, porque fui criado.

Viver neste nada é não olhar microcospicamente para a vida, mas avistá-la de forma amplíssima, sabendo que Ele tem o controle. Ele é o porto seguro da alma cansada, a rocha firme e angular dos corações desnorteados. Não encontraremos qualquer segurança em nada mais, pois nada mais transcende o terreno como Ele, fazendo das nuvens o produto do que cai do bater de seus pés: puro pó.

Quero saber viver a partir do nada, mas apoiado em Deus, a evidência invisível. Quero aprender a viver dEle e nEle, mergulhar em sua imensidão e me inspirar, sem medo de me perder, no único que pode dizer "No mundo terei aflições, mas tende bom ânimo: eu venci o mundo".

4 comentários:

Ricardo Facó disse...

EI EDÍLSON, EU NÃO ENTENDI MUITO DESSE TEXTO NÃO! ESSE NEGÓCIO DE VIVER O NADA É MUITA FILOSOFIA PARA MEUS PEQUENOS NEURÔNIOS :)

Andre Yure disse...

É eu acho que você tem mesmo razão meu seleto amigo, algumas pessoas vivem a procuram com tanta sede por um sentido em todas as coisas da vida, que acabam por viver uma vida sem sentido.
Talvez seja bem mais fácil do que parece. Ou pelo menos bem menos complicado. Talvez minhas lentes estejam apenas um pouco sujas. Ou minhas retinas ou pouco cansadas.
Sei lá...

Valeu cara, até a próxima.

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Um grande abraço!

Por Edilson de Holanda